
Uma vez por ano, durante a madrugada do sábado para o domingo de páscoa na semana semana santa, os ruas da cidade histórica de Ouro Preto são enfeitadas entre os quatro quilômetros entre a Matriz Nossa Senhora do Pilar e o Santuário de Nossa Senhora da Conceição em que a procissão que marca o domingo percorre. As fachadas das casas ainda são enfeitadas com toalhas coloridas e decoradas para a ocasião. Essas tradições começaram no século XVIII, apesar de sofrerem um decaimento ate o ano de 1963 quando essas voltaram a agitar a cidade. As celebrações atraem turistas do mundo inteiro que contribuem para as festividades.
Mais do que uma manifestação cultural, a criação dos tapetes é um forte exemplo de apropriação do espaço público pela população. Além disso, demonstra como a interação entre as pessoas ainda é importante para o espaço da cidade.
No livro "Lições de Arquitetura" o autor ,Hermam Hertzberger, destaca que um dos papeis da arquitetura e urbanismo é permitir que os espaços públicos sejam utilizados pela população de acordo com as suas necessidades. Ouro Preto, no entanto, não foi construÃda com um planejamento urbano como referência e a maioria das construções não tiveram a participação de um arquiteto. Mais do que questões técnicas, o relevo da cidade não é convidativo para esse tipo de evento, já que possui muitas inclinações ingrimes. De noite, ainda, a cidade é coberta por uma bruma fria.
As casas, Igrejas, museus e prédios do antigo governo são todos do estilo barroco e pouco convidativos. As ruas são estreitas e os passeios também. Além disso, a história da cidade transmite um ambiente pesado. Com tudo isso a cidade não seria convidativa para ocupação de seus espaços, no entanto, em datas festivas como a semana santa as ruas ganham uma nova atmosfera que fervilha e aconchega manifestações populares.
Os moradores, todavia, formam uma comunidade unida e ativa principalmente nas questões que tangem o patrimônio cultural e histórico da cidade. Essa população é orgulhosa de sua cidade e a suas tradições. Essa união pode ser fruto da proximidade das casas históricas que, por vontade ou não dos moradores, foram construÃdas uma colada na outra e as fachadas principais das residencias são a própria divisória entre a rua e o espaço privado. Isso faz com que conversas sejam ouvidas facilmente e que pessoas facilmente observas.
Seja qual for o motivo dessa união entre a população, é certo que a cidade torna-se atraente para turistas em épocas festivas devido às ações dessa. A criação dos tapetes nas ruas da cidade durante a semana santa, demostra como um grupo de pessoas se apropria do espaço publico e o transforma, dando novo significado a suas vias e renovando a atmosfera da cidade.
Verônica Horta Christófaro, 29 de março de 2016, Belo Horizonte.












