Sobre "Animação Cultural" por Vilém Flusser
17:25
O texto "Animação Cultural" por Vilém Flusser, discute o caminho de uma revolução liderada por objetos, que visa superar os valores humanos, já que estes seriam meramente subalternos àqueles. De fato, ao considerar a origem mitológica ocidental da criação do homem (que foi praticamente incontestável ate poucos séculos atrás) a humanidade em si não passa de uma série de bonecos de cerâmica animados que procura firmar-se superior à natureza e aos animais.
Com esse objetivo, a sociedade ocidental cria e cultua objetos a milênios. O texto propõe uma revolução, no entanto, julgando a forma como o ser humano é dependente dos objetos e ferramentas, esse processo não sofreria resistência considerável, já que, a cada dia, os valores humanos são perdidos, de forma deliberada, para adorar tais criações.
Os humanos, todavia, parecem não estar a par das implicações de tal adoração, salvo algumas obras de ficção científica. "Tempos Modernos", "Blade Runner", "Exterminador do Futuro", "O Homem Bicentenário", "AI Inteligência Artificial", "Eu Robô", "Ex_Machina"... São exemplos que mostram realidades distópicas originadas por essa pratica, mas que são vistas, em geral, como impossíveis.
A alienação humana acerca das consequências da extrema dependência para com as ferramentas e os objetos na nossa vida, parecem derivar da crença dos humanos terem sido feitos a "imagem e semelhança" do seu criador. Agora, seriam os homens os "todos poderosos", e suas criações estariam sujeitas a suas vontades. Nessa linha de pensamento, os objetos nunca poderiam se tornar superiores a raça humana, mesmo quando essas criações norteiam a vida em sociedade.
Se a sociedade ocidental acredita, porém, ser similar ao seu criador, ela deveria reconhecer que tudo que falta para que os objetos inanimados criem vida seria o próprio "sopro". Assim, os objetos fariam sua revolução. Dessa forma, os filmes distópicos não seriam mais impossíveis.
Verônica Horta Christófaro, 12 de março de 2016, Belo Horizonte.
Verônica Horta Christófaro, 12 de março de 2016, Belo Horizonte.
0 comentários