
A Bienal de arte de São Paulo ocorreu entre os dias 6 e 10 abril deste ano e buscou promover a arte contemporânea e aproxima-la da população. Apesar de seu objetivo, a população não aproximou-se das obras, isso se deve a organização do espaço e a escolha dos componentes das exposições.
Esse evento, diferentemente de um museu, visa, além de expor as obras, vende-las e esse eh o primeiro ponto de desencontro entre a população geral e a Bienal. A grande maioria dos visitantes não possuem poder aquisitivo para compra-las. Dessa forma, a visita aos espaços torna-se rápida e pouco detalhada.
A exposição ainda foi estruturada de forma muito tradicional o que diminui a integração dos visitantes com o que é exposto. A organização (de um evento que se diz contemporâneo) é mais imóvel do que muitos museus, e, quando essa é comparada com a disposição de espaço do Masp, esse engessamento é ainda mais gritante.
A Bienal é formada por várias galerias o que favorece ainda mais para a fragmentação e falta de integração do espaço. Além disso os acervos de tais galerias são muito semelhantes. Um exemplo disso é que quase todas possuÃam obras de Volp, essas que, na maioria das vezes, tratam da mesma cena e há pouca mudança no esquema de cores. Essa falta de diversidade provoca a sensação de que o visitante vê sempre as mesmas obras o que provoca desinteresse. Além disso, os funcionários das galerias não se disponibilizam a apresentar os trabalhos dos artistas para a parcela dos passantes que não possuem poder aquisitivo para compra-los.
Esses aspectos fizeram com que o andar mais visitado fosse o terceiro que dedicou-se a decoração de móveis. Talvez pelo antedimento dos funcionários, ou pela disposição convidativa dos objetos expostos , ou ainda pela presença de cafeterias em espaços interessantes com mesas invertidas e espaço de convivência, esse andar atraiu os visitantes.
Curioso foi constatar que a arte, aberta a interpretação e sem fins finalÃsticos e causais, o que abriria à interação dos visitantes, não foram o atrativo para a população. Esse papel recaiu sobre móveis e objetos puramente decorativos, com fins prontos e acabados devido a organização do espaço.
Verônica Horta Christófaro, 18 de abril de 2016, Belo Horizonte.
O Museu de
Arte de São Paulo é um museu privado sem fins lucrativos, fundado
pelo empresário brasileiro Assis Chateaubriand, em 1947,
tornando-se o primeiro museu moderno no paÃs. O atual prédio foi projetado pela
arquiteta Lina Bo Bardi em 1968 que cria uma construção de vidro
e concreto, principalmente, sem contornos e acabamentos luxuosos.
O vão livre da construção além de belo abriga uma
praça de convÃvio para a população, mas, talvez devido a reforma que esta sendo realizada na fachada do
museu, esse espaço não possui todo o potencial proposto no projeto. Esse local
ainda serve de abrigo ao tempo para a população de rua que vive nas
proximidades, apesar de desses
serem frequentemente retirados pela policia municipal.
Pode-se
constatar que o espaço simples, belo e funcional projetado pela arquiteta não é
utilizado pela população em seu maior potencial. Isso ocorre devido
a intolerância da população de classe média
em relação aos moradores de rua o que gera uma disputa
pelo espaço .
Em relação ao acervo, é impressionante a quantidade de séculos ali
representados. De uma estatua grega da deusa Higeia do século IV a.C., foto ao
lado, às pinturas das vanguardas modernistas do inicio do século passado.
Percebe-se a predominância da arte europeia, mas vê-se estatuas
africas; esculturas de soldados chineses; pinturas mexicanas de Diego Riveira e
obras de brasileiros como Almeida Junior, Anita Malfati, Candido Portinari e
Flávio de Carvalho. As obras da sala do acervo permanente foram
organizadas respeitando a ordem cronológica, das mais antigas para as
mais recentes, utilizando os cavaletes criados por Lina Bo Bardi que objetivava
tirar as obras da parede distanciando esse museu dos outros tradicionais.
Essa organização cronologia, no entanto, quebra parcialmente a
proposta da arquiteta.

Na salas destinas a exposição que esta sendo
realizada, História da infância, os obras de arte voltam à parede, criando
espaços ainda mais tradicionais para uma proposta moderna. Essa exposição
contrasta a infância retratada em pinturas historias com fotos
da realidade atual. Um exemplo é a foto ao lado de Andre Cypriano intitulada
" O menino e a pistola" tirada na favela da Rocinha em 1999. Essa
foto é exposta ao lado de uma criança vestida para ir para a escola em 1888,
que retrata o filho de um carteiro e é denominada " O escolar"
pintada por Vincent van Gogh.
O
museu destaca-se pela importância do seu acervo que confere ao museu
o estaus de mais importante do hemisfério sul, pela sua beleza e
pelo seu potencial desperdiçado devido a conflitos de de classes.
Verônica Horta Christófaro, 17 de abril de 2016, Belo Horizonte.
