O programa do absurdo
14:43
O desenvolver da aula do dia 17 deste mês, apesar da pré orientação dos professores, foi um acaso. Ninguém poderia prever nem especular os objetos trazidos pelos alunos. Também não seria possível adivinhar a lógica escolhida por eles para selecionarem-os, todavia todos esses acasos couberam e criaram o programa da aula.
Levei um nose clip, pois representa o nado sincronizado. Me identifico com esse esporte devido a força e o esforço que são necessários para executar os movimentos, bem como a delicadeza e flexibilidade. Escolhi esse objeto também porque o ideal buscado no nado é a beleza mesmo quando isso implicada chegar ao limite da capacidade aeróbica. Vivo e sou ,então, um paradoxo. Busco a beleza do ócio grego, mas trabalho a exaustão. Isso seria um absurdo, um ponto fora da reta, nas lógicas finalística e casual, porém, na programática, é mais um acaso necessário.
Ainda me liguei a um cadeado fechado, mas que pode ser aberto, uma vez que sou uma pessoa fechada com a maioria daqueles que me relaciono, só que, ao mesmo tempo, posso me abrir. Liguei-me também a uma miniatura da Torre Eiffel, que representaria minha ambição de viajar. Os dois são eventos imprevisíveis e aleatórios a exemplo de todas as outras ligações da mesa de objetos.
Os acasos fizeram parte da dinâmica da aula e, mais do que isso, foram necessários para que ela acontecesse. O nada acabou sendo objeto, o que não é apenas impossível mas um grande absurdo. Essa é a programática de Vilém Flusser vivenciada em uma aula, lógica em que nada é propriamente absurdo, já que ele, e os acasos, são indispensável.
Verônica Horta Christófaro, 20 de março de 2016, Belo Horizonte.
Verônica Horta Christófaro, 20 de março de 2016, Belo Horizonte.

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